A escultura de parede Menino Pêndulo Barco, da SUI OBJETOS, constrói uma cena delicada onde estrutura e vazio se entrelaçam. Um volume linear em metal dourado sugere a silhueta de uma casa — abrigo simbólico — enquanto, no interior, a figura de um menino repousa suspensa, como se habitasse um tempo desacelerado.
Sentado e levemente curvado, o personagem parece absorvido em si mesma, em um gesto de introspecção silenciosa. O fio que a sustenta desce além do corpo e se prolonga até um pequeno barco dourado, criando uma linha contínua entre o interior e o exterior, o íntimo e o que escapa.
Os elementos — a casa, o corpo, o fio, o barco — operam como extensões poéticas de uma mesma experiência: estar entre proteção e deslocamento. A obra evoca a sensação de pertencimento instável, como se o abrigo não fosse fixo, mas suspenso, e o sujeito estivesse sempre em trânsito entre recolhimento e deriva.